Projeto Essência Nua

ALANA - Ensaio 83

NU ARTÍSTICO É REVOLUÇÃO

E Sabe por que eu digo isso? 

Por que durante décadas, nós mulheres fomos julgadas e diminuídas ao mesmo tempo em que perseguidas. Obrigadas a nos esconder atrás de panos. Porque eu cresci vendo minha mãe sendo agredida e xingada das mais horríveis palavras ao mesmo tempo em que a pessoa que o fazia queria dominá-la e possuí-la só para si. Porque eu passei minha adolescência inteira odiando meu corpo por ser muito magra, por ter cabelo enrolado, por menstruar, por ter pelos, por diversas outras coisas que envolvem mulheres reais, tendo que lidar com comentários desnecessários e indesejados especificamente para o meu corpo, enquanto eu via minhas amigas também, umas indo ao banheiro vomitar o almoço para não engordar, outras escondendo sempre os cabelos atrás de touca por te-lôs crespos, todas entupindo a cara com 10 kg de base e pó todos os dias (inclusive eu que tinha a pele perfeita), tudo em busca de sentirem-se belas e aceitas a partir daquilo que haviam dito para elas que era aceitável e ideal. Enquanto ainda por cima ao invés de expressarem esses sentires reproduziam comportamentos de competição umas com as outras... E até hoje nas rodas de sagrado feminino que participo constantemente escuto sair da boca das mais belas deusas encarnadas o quanto elas já se sentiram feias e esquisitas. Por isso eu digo, que não só o Nu artístico é revolução, como qualquer ato de empoderamento que faz a luz de cada uma de nós brilharmos no mundo, em forma de arte e em forma de autonomia!! Nossa aceitação vem sido reconstruída com tempo de dentro pra fora. E não é comentários dizendo que isso é obra de nossas vaidades egoístas para tentar mais uma vez diminuir nossos valores que vão nos fazer menos Deliciosas, menos Incríveis, Deusas, Maravilhosas que somos. E muito menos, menos espiritualizadas. Dane-se os falsos moralismos de santidades mastigadas e cuspidas nos nossos pratos. Agradecemos, mas há um banquete de maravilhas nascidas da terra em abundância nos esperando ao lado umas das outras e daqueles que puderem enxergar.